segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O mundo sem rodinhas

E aconteceu... ele andou de bicicleta sem as rodinhas de trás. Que emocionante ver a emoção do meu filho. Queria tanto e conseguiu! No primeiro treino, amparado e impulsionado pelo amoroso pai, foi embora... sozinho...feliz...confiante...emocionado. Quanta vibração. E como foi contagiante vê-lo pulando de alegria por tão nova e deliciosa conquista. Agora ele sente o mundo diferente. Quando menos esperou, estava equilibrado na bicicleta, sozinho, sem notar que não precisava mais das rodinhas de trás. Ele estava pronto. E as rodinhas estavam ali apenas para que ele soubesse. Apenas para, como tão sabiamente eu li num texto outro dia, que ele " fizesse da serenidade um ponto de partida."
...
Na vida é assim.
Quando queremos muito alguma coisa é porque estamos prontos.
Prontos para enfrentar os desafios, experimentar emoções novas, encarar as dificuldades do por vir.
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E que a serenidade seja sempre o ponto de partida.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Avançar


 
Nem sempre ir em frente significa avançar.
Por vezes seguimos freneticamente, a passos largos, imbuídos do intuito de não parar. E tantas vezes, devorados por essa inércia, não percebemos que continuamos no mesmo lugar. Avançar implica em perdas e dores. Avançar nos faz melhores, mas nos traz cicatrizes. Avançar não é esquecer ou banir. É entender onde estamos e dar, conscientemente, um passo a frente. Com toda a inquietude da lucidez. Com o espanto de um tapa na cara. Com o susto de quem parou para entender o recado da vida.
É, nem sempre ir em frente significa avançar.
Pássaros indomáveis nos puxam para frente, quando muitas vezes precisamos é ficar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Crianças

Observar uma criança é como reaprender a vida. Tanta entrega, tanta vivacidade, tanta intensidade. Amar uma criança é como se banhar, diariamente, com o elixir da juventude. Impressionante como esses pequenos tem o dom divino de apaziguar dores, proporcionar sonhos, fortificar metas, colorir os dias e encantar corações, mesmo aqueles tão calejados e doloridos. É com imensa alegria que divido meu dia com duas crianças ímpares. Ou deveria chamar de os melhores professores que a vida me deu ? Ou da melhor terapia que já fiz ? Ou das gargalhadas mais gostosas que eu já dei ? Ou das emoções mais fortes que eu já senti ? Ou da caixa de lápis de cor mais colorida que eu já tive ? Ou da maior bênção que Deus me deu ? Me sinto em um jardim de infância redescobrindo a vida. E como é bela, forte, intensa e feliz. Como o frescor deles é capaz de me emprestar novas tintas. E como me sinto depositária de todo amor que existe nesse mundo.
Às minhas crianças devo minha vida. Inteira.
À todas as crianças devemos um mundo melhor. Muito melhor.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Afeto eterno

Hoje acordei sendo cutucada pela saudade. Saudade de quem não está mais nesse plano terreno. Saudade de quem não posso mais enxergar. É, na verdade não posso mais enxergar, conversar, falar. Mas posso sim ir de encontro a todas as lembranças de momentos compartilhados. Tão reais, tão fortes, tão vívidas. A alma é eterna e sobrevive a sua breve estada terrena. Ter a certeza de que meu grande amigo está em sintonia com todos os que lhe querem bem é um bálsamo. E fico feliz ao perceber que sua força, seu brilho e todo o exemplo que tatuou na minha alma permanecem para todo o sempre e atravessam os dias, meses e anos da sua ausência física.

terça-feira, 26 de junho de 2012

O cotidiano de cada um


No dicionário tá escrito: "aquilo que se faz todos os dias." "Que acontece habitualmente." Será mesmo o COTIDIANO sinônimo da monotonia? É soberano. Tantas vezes tirano. E mesmo carregado com um ar troiano, há quem diga da sua beleza. Há quem o veja com olhos de iniciante. Iniciantes que preferem a repetição até absorverem o todo. Rotina sem surpresas. Dia que amanhece. Noite que anoitece. E no intervalo uma sequência programada que traz a serenidade.
Mas venho aqui dizer que mesmo no ensaiado há improviso.
Que o dia cartesiano pode ser colorido com novos tons.
E é nesse milagre que habita a poesia.
É o branco da caixa de lápis de cor o mais apto a receber novas tintas.
Prefiro mesmo fugir dos rótulos.
Que o cotidiano possa sim ser aquilo que se faz todos os dias, MAS, sempre salpicado com versos livres, aqueles sem restrição métrica.
Só assim, o piscar de olhos entre o antes e o depois pode encontrar mágicos acontecimentos.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Esperando meu cavalo alado

Às vezes fico quietinha, quietinha. Como a recobrar o fôlego às vezes perdido e tantas vezes muito bem usado. Tentando absorver aquilo que a fúria diária maquia e não traduz. Colhendo a seiva daquilo que me foi oferecido e direcionando para plantações vindouras. Esquecendo as auto-sabotagens que em muitos momentos experimentamos, colocando pedras intransponíveis nas nossas paisagens. É. Fico quietinha, quietinha. Como a fotografar esses sentimentos para que minha retina empreste essas imagens para sempre à minha alma. E não se perca de mim essa percepção lúcida dos fatos.
Quietinha, quietinha...
E sentada num amontoado de palavras fico esperando meu cavalo alado.
Aquele que me rouba desses instantes de reflexão e me faz explodir em palavras.
Sejam elas alegres ou tristes, doces ou árduas, leves ou pesadas.
Mas sempre PALAVRAS que fazem meu ser ensolarado.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Como olhos de coruja


Tem hora que a gente não sabe pra onde correr. A vida continua ali. Implacável. Como olhos de coruja à espreita das nossas fraquezas. Prosseguir é virtude. É aceitação. E aceitar é entender que não podemos impedir a mudança. Que as rédeas da vida dançam nas nossas mãos, mas não nos pertencem. Deixamos nossas digitais nelas. Imprimimos emoção e razão. Atravessamos vales e montanhas. Desertos e oásis. Mas não nos pertencem. Apenas alcançamos a grandiosidade do viver quando, absortos, compreendemos que a permanência é fugaz. E que o eterno burilar nos move adiante. Tão eterno quanto a impermanência das coisas.

O UNIVERSO SUSSURRA

Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...