Era uma vez uma menina que entrou na minha vida.
Ela tinha 4, quase 5 anos. E desde a primeira vez que a vi fiquei encantada. E foi recíproco. Aqueles olhinhos curiosos me olhavam de cima a baixo, como a desvendar uma novidade. E sempre havia muito carinho. Sempre havia muito sorriso. Sempre havia muitas perguntas. Inquieta e atrevida, não aceitava qualquer argumento. Conversar com ela era um ótimo exercício de afinar a retórica. Renovar-se. Oxigenar-se. Na sua infância foi plena, absoluta. Foi lindamente criança que tem asas nos pés. Adolesceu. Tornou-se jovem. E aquelas asas nos pés continuavam ali. Era como se parar fosse um crime. Num combustível de fazer inveja a qualquer um. Tinha pressa. E nem sabia porque. Estudos, viagens, projetos, peças, ensaios. Há pouco tempo fui vê-la no teatro. Sua atuação irretocável me comoveu muito. Uma atriz e tanto. Uma jovem e tanto. Que levantava bandeiras e lutava por um mundo melhor. Que não se calou. Que procurou fazer sua parte. E nos deixou muitas heranças. Muitas.
No último dia que nos vimos, com toda a sua doçura ela me disse:
- tia, eu cresci, mas pra mim você será sempre a tia Pat.
Os olhinhos brilhantes daquele dia não me saem da cabeça. Não sabíamos, nem eu, nem ela, mas aquela era uma despedida. Não posso mais vê-la com esses olhos terrenos. Mas continua forte toda essa Carolina que reverbera em mim com tanto impacto.
É, suas asas nos pés agora te levaram longe.
E sua passagem em nossas vidas nos fez muito melhores.
Pode ter certeza Carol.
Era uma vez uma menina que ficou na minha vida.

Lindo texto! Todos sentiremos falta do raio de luz que é a Carochinha...
ResponderExcluirFoto de Gabriela Scartezini Battisti.
ResponderExcluirQue amor lindo, Pati. Sentimento doce e especial!
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