terça-feira, 4 de novembro de 2014

Eu quero




Então está combinado.
Quero um dia de coração leve, notícias boas, esperanças verdejantes.
Quero um café da manhã demorado, salpicado com minha leitura predileta.
Quero dar bom dia com vontade aos que cruzarem meu caminho.
Quero sorriso no rosto ao olhar pro céu e enxergar formas nas nuvens.
Sim, eu enxergo formas nas nuvens. Desde pequena.
Quero enxergar esperança nos olhares. E brilho também.
Quero telefonar para aquela velha amiga e escutar sua voz.
Quanto tempo não ouço sua voz. Apenas imagino o que está por trás das linhas que ela teclou.
Quero quebrar barreiras do mal entendido. Aquelas situações em que você jura que entendeu, mas na verdade percebeu tudo errado.
Quero sentir o cheiro daquelas flores que enfeitam minha sala e que eu já não dou tanta bola.
Quero almoçar sem olhar no relógio.
Andar a pé. Sentir o vento no rosto. E se der sorte a chuva no corpo.
Eu quero.
Quero voltar a escrever, deixar fluir minha maior paixão.
Que as palavras novamente me façam.
Tomem minha forma.
E eu cá estou, sentada num amontoado de palavras esperando meu cavalo alado chegar.
Quero prosas e versos.
Eu inteira e meu reverso.
Eu quero.




quinta-feira, 29 de maio de 2014

Compasso do tempo

  
 
Tem dia que, de um segundo pro outro, vira poesia.
Tem silêncio que, de um minuto pro outro, vira presença.
Tem inquietude que, de uma hora pra outra, vira aconchego.
Tem juízo que, de um dia pro outro, vira poeira.
Tem rock que, de um acorde pro outro, vira blues.
De um olhar pro outro,
tem chão árido que vira tapete de flores.
E o compasso do tempo pára.


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Cronômetro da vida

 


 

Às vezes tenho um pouco de preguiça de gente rancorosa. Gente que guarda dentro de si o que precisa ser resolvido do lado de fora. Gente que escolhe se esconder, e encolher, do que esticar e perceber que é possível relativizar.
Diante de tanta coisa difícil que tem na vida, penso que rancor é como um passo de caranguejo. É mesmo andar pra trás e escolher azedar o coração. Entornar a poção. Dilacerar a razão. Sem perceber, e agradecer, a oportunidade de melhorar. De perdoar. De oferecer em vez de recolher.
Sou a favor da generosidade. Aquela generosidade feita de braços abertos e sábios. Porque uma mágoa guardada não tem uma morada feliz. Mas uma mágoa trabalhada... ah, essa vira força motriz.
Esse é um convite para mudar o olhar e engrandecer a alma.
O cronòmetro da vida agradece.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Exclamações mágicas

Muitas vezes fui chamada de exagerada. Mas consegui compreender que o exagero para mim era sinônimo de intensidade. Ser intensa afronta. Perturba. Ser intensa, às vezes, fere. Mas, ser intensa eleva minha sensibilidade. Dilata meus poros. Aguça meu paladar. A intensidade nos faz experimentar o dia-a-dia com lentes de aumento, novas tintas, sabores que ultrapassam as medianas aspirações. A intensidade alcança o profundo. E o voo explica o abismo. Por isso doses diárias de intensidade promovem mágicas exclamações. Tá servido?

quinta-feira, 13 de março de 2014

Tempo de ser inteiro.


Na vida a gente tem tempo que está pra fora, tipo girassol acompanhando a luz. E tem tempo que a gente está pra dentro, tipo pérola dentro da ostra. Seja qual for o momento, lembre-se, é tempo de ser inteiro. Tanto na exuberância de dias intensos, quanto na reclusão de momentos íntimos e singulares, precisamos viver por inteiro cada fase. Sim, somos feitos de fases. Fases que se completam, ou se intercalam, ou se sobrepõem, ou se repetem. Mas fases. 
Angustiantes são aqueles momentos de transição. Nem uma fase, nem outra. Sensação de tempo perdido, de falência dos sentimentos, de incompletude. Inércia temida que consome. Mas no fundo uma inércia importante. Que nos inquieta, que nos freia, que nos leva a reflexão. E somente assim, muitas reflexões depois, podemos pular de fase. É, esse passaporte muitas vezes é bem trabalhoso de se conseguir. 
Ser inteiro carrega um custo.
Em nosso próprio benefício.
Então mãos a obra, coração nos olhos, força na peruca. E tudo mais que você preferir.
Isso. Prefira ir.




quarta-feira, 12 de março de 2014

Tanto


Em cada canto do desnudo encanto,
esconde-se um pranto tonto.
Em cada vírgula do entretanto,
encontra-se a resposta do portanto.
Porquanto só me resta o tanto.
O tanto que permanece sob encanto.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

De frente pro espelho.


Quanto de tudo o que criticamos há em nós?
Se pudéssemos roubar da lucidez a maestria de perceber que aquilo que censuramos, corrigimos, desaprovamos, depreciamos é, muitas vezes, nossa imagem refletida em um espelho aterrorizante.
Sim, muitas vezes, nós fazemos o que censuramos, corrigimos, desaprovamos, depreciamos. Veladamente.
E isso nos torna algozes de nós mesmos.
Como seria mais fácil aprender, antes de maldizer.
Olhar o nosso próprio umbigo, antes de desaprovar a postura alheia.
Tentar se redimir antes de condenar.
E se fazer melhor antes de crucificar o pobre ser que está do outro lado servindo apenas de reflexo. 
Como um retrato em preto e branco que tanto teimamos em colorir pra simular nossa santa imagem.
É chegado o tempo de se encarar.
E que o reflexo do outro em nós seja mais que uma fotografia.
Seja reflexão. Retratação.

O UNIVERSO SUSSURRA

Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...