terça-feira, 11 de novembro de 2025

Os muitos caminhos da escrita


Cada pessoa tem um jeito muito próprio de criar.

Alguns precisam do silêncio absoluto. Outros, do barulho do mundo. Há quem encontre inspiração no caos e há quem precise de calma para transformar pensamentos em texto. E é justamente essa diversidade de processos criativos que torna a escrita tão fascinante.

Eu penso que devemos explorar todas as situações para expressar emoções e imprimir retóricas.

No meu viés redatora publicitária, entre prazos, métricas e campanhas, aprendi a escrever mesmo quando a inspiração não dá as caras. A gente aprende a transformar o caos em matéria-prima, a lapidar a entrega até que o texto respire e toque alguém. E a escrita pode ser tanto técnica quanto catarse. Ela pode vender ou simplesmente libertar.

No meu viés escritora, não há briefing nem meta, só o fluxo. As palavras me atravessam e me revelam. É nesse lugar que a escrita deixa de ser ferramenta e vira essência. Escrevo para compreender o que sinto e dar forma ao invisível. É um espaço onde o tempo desacelera e o texto deixa de ser entrega para se tornar existência.

No fim, cada processo criativo é um espelho de quem somos e é nessa pluralidade que a escrita continua sendo arte, ofício e autoconhecimento.

Talvez o mais bonito da escrita seja isso: ela sempre encontra um caminho!

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Mais você, por favor!



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Fim de ano chegando e junto com ele um burilar de emoções pipocando dentro do peito. A retrospectiva é inevitável. Mas o mais relevante nesse momento é um olhar maduro sobre o que foi projetado versus o que foi realizado. Será que conseguimos atingir nossos objetivos no ano que se finda? Será que realmente nos esforçamos para isso? Nessa era acelerada, às vezes nos falta tempo de focar e lutar. Muitas vezes somos engolidos pela inércia do dia-a-dia castigante e sobra pouco ou nenhum tempo para cuidar dos nossos propósitos mais íntimos.

Avaliando bem, sempre vai ficar faltando algo a realizar. E isso não é ruim. É mola propulsora para ganharmos força para tentar de novo. Algo mágico acontece naquela viradinha do dia 31 para o dia 1º do ano que chega e que insistimos que seja novo. Novo. Isso nos infla de esperança, força e um desejo gigante de renovação.

Conquistas e vitórias são importantes. Colecionar momentos bons é melhor ainda. Toda vitória requer esforço e dedicação e vem salpicada com aquele gostinho de sucesso. Muitas vezes essas vitórias vêm revestidas de bronze, prata, ouro, títulos, cargos, aquisições. Bom isso. Mas as maiores vitórias, talvez as mais verdadeiras, não colocam a gente em um palco para sermos aplaudidos. Acontecem de modo silencioso quando conseguimos transformar a vida das pessoas para melhor. O encanto de ser motivo de alegria para o outro é o melhor prêmio a ser conquistado.

Pare. Pense. Transforme vidas. Encante corações. Distribua gentileza. Seja ombro amigo. Seja sorriso largo. Abraço aconchegante. Olhar atencioso. Ouvido cuidadoso. Seja a parte mágica que você espera do outro. E da vida. Ela vai te devolver em troca. Ela vai te chamar e dizer ao pé do ouvido: muito bem, você transforma vidas. E aí o milagre acontece.

Fico pensando que existimos para  transformar. E não há nada mais lindo, nada mais corajoso. Somos desenhistas, arquitetos, projetistas e escritores da nossa própria estória. Renove-se. Se o seu lápis estiver com a ponta quebrada, aponte-o! E parta para a ação.

Olhe pra dentro. Enxergue-se com olhos mais doces.

Mais amor!
Mais você, por favor!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O que será do caos?

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O que gera o caos?
O caos gera revolta. Gera vazio. Gera inquietude. 
Quando a desordem interior é tão grande e profunda, vivemos cerceados pelo sentimento da impotência. Da falência de atitudes regeneradoras. De olhos sorrindo.
Esse emaranhado de sentimentos confusos nos rouba as cores, os cheiros, as expectativas no positivo.
Tão difícil atravessar desertos sem perspectivas de oásis.
Tão difícil alimentar esperanças desesperançadas.
Difícil mesmo é acreditar na mudança.
Mas ela vem. Cedo ou tarde. De dia, de noite ou na madrugada vazia.
Vadia noite que me engole, gole a gole, e quase me priva de enxergar sua magia.
O caos gera instabilidade. Gera riscos descabidos. Gera intranquilidade e complexas fugas.
Mas é esse caos que gera a vida.
Alerta ao caos. Ele não é prejudicial à saúde.
E pode gerar estrelas.
Já dizia Nietzsche.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Embalo

Sigo no embalo dos acontecimentos. Tantas vezes difíceis, outros, poucos, surpreendentemente leves. Embalos lembram ondas. Lembram rede. Balanço. Um ir e vir de sensações que pulam de um galho a outro e que não se aquietam. Aquietar um coração é tarefa difícil. Parece um indomável ser com força e vontade próprias. Por vezes digo a ele baixinho: sossegue, é apenas uma parte da travessia. Quem sabe possamos alcançar mares de calmaria? E uma esperança frágil se atreve a surgir, ensolarando de novo aquele rosto sombrio. Calmaria é uma parada técnica, uma pausa necessária. Tempo de refletir. Mas eis que lá vem o embalo, do outro lado, de novo. E trás de volta velhas sensações contraditórias. Tempestades. Esse balanço... Nem bom, nem mau. Nem meu, nem seu. Embalo da vida. Vida irriquieta e indomável. 
Sigo no embalo dos acontecimentos.
Tem nada não.
Grandes marinheiros conhecemos em mares revoltos.




quinta-feira, 7 de abril de 2016

Re-começar



A vida é implacável.
Querendo ou não, a noite vem depois do dia que, invariavelmente, amanhece.
Adoro amanheceres.
Eles trazem uma energia nova para tudo.
Inclusive para assuntos velhos e pesadelos reticentes.
Amanheceres trazem novos pontos-de-vista.
É impressionante como às vezes passamos a noite a desenhar nosso próximo dia, maquinando, refletindo, encaixando uma coisa aqui, outra ali. Revivendo nossa trajetória, nossos "por fazer".
Noites escuras.
Aí vem o dia. E esclarece.
É tão bom poder começar.
Mesmo que seja um dia novo.
Cheio de possibilidades.
É tão bom poder re-começar.
Com uma nova idade
E um tudo novo por fazer.

sábado, 25 de abril de 2015

Resiliência

Lembro-me bem da primeira vez que fui apresentada a esse termo. Havia uma hora que falava sem parar frente a uma psicóloga. Na verdade era a primeira vez que estava ali, naquele consultório que não me era familiar, mas cujas circunstâncias me levaram lá. E então, depois de vomitar tudo que me engasgava, eu ouço apenas: resiliência! Num tom seco e curto. R-E-S-I-L-I-Ê-N-C-I-A. Rapidamente parei para pensar se tudo aquilo que eu acabara de falar sofridamente se resumia a um único termo. Mas antes mesmo que pudesse exteriorizar minha interrogação me veio uma ordem: - Essa é sua tarefa de casa. Pesquise, entenda, compreenda a resiliência. E lá fui eu então me ocupar de minha nova tarefa.
"A psicologia tomou essa imagem emprestada da física, definindo resiliência como a capacidade do indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, etc. No campo das relações humanas, é compreendido como um processo que excede a simples superação de experiências, já que permite ao indivíduo sair fortalecido por elas, superar, o que necessariamente promoveria a saúde mental."
Então era isso. Quanto mais compreendia o significado daquele termo, mais ele se amplificava e ecoava dentro de mim. Não basta superar os obstáculos, é preciso ser mais forte do que antes. Antes daquela tempestade, avalanche, enchente, tormenta. Pode chamar como quiser o seu problema. Porque, afinal de contas, ele é seu, e só você sabe o peso que ele te traz. Entendi também que, quanto maior o problema, mais fortalecido se pode sair do embaraço. Mas não é uma simples tarefa. A resiliência tem e deve ser conquistada por nós. Passei então a me enamorar do termo. Ficamos namorando um bom tempo. Sabe início de namoro, quando você quer saber o máximo do outro? Foi assim. Descobri que uma pessoa resiliente não se abate facilmente, usa toda a sua energia para lutar e, o melhor, não culpa ninguém pelos seus fracassos. Isso para mim foi o melhor. E o casamento aconteceu. Meu e da resiliência. Busco ela diariamente. Trago-a para o meu convívio sempre que preciso. Sinto que minha capacidade de envergadura aumentou. E o aprendizado obtido com os obstáculos tem sido revigorante. E quando me lembro daquele dia que ouvi pela primeira vez 'resiliência', e que já faz tanto tempo, minha alma sorri. Porque hoje sou mais plena que antes. Uma poetisa que tanto amo, há muito tempo, muito antes disso, já me dava esse precioso recado: R-E-S-I-L-I-Ê-N-C-I-A.

"Aprendi com a primavera a cortar-me e a voltar sempre inteira".

Quanta resiliência Cecília!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Eu quero




Então está combinado.
Quero um dia de coração leve, notícias boas, esperanças verdejantes.
Quero um café da manhã demorado, salpicado com minha leitura predileta.
Quero dar bom dia com vontade aos que cruzarem meu caminho.
Quero sorriso no rosto ao olhar pro céu e enxergar formas nas nuvens.
Sim, eu enxergo formas nas nuvens. Desde pequena.
Quero enxergar esperança nos olhares. E brilho também.
Quero telefonar para aquela velha amiga e escutar sua voz.
Quanto tempo não ouço sua voz. Apenas imagino o que está por trás das linhas que ela teclou.
Quero quebrar barreiras do mal entendido. Aquelas situações em que você jura que entendeu, mas na verdade percebeu tudo errado.
Quero sentir o cheiro daquelas flores que enfeitam minha sala e que eu já não dou tanta bola.
Quero almoçar sem olhar no relógio.
Andar a pé. Sentir o vento no rosto. E se der sorte a chuva no corpo.
Eu quero.
Quero voltar a escrever, deixar fluir minha maior paixão.
Que as palavras novamente me façam.
Tomem minha forma.
E eu cá estou, sentada num amontoado de palavras esperando meu cavalo alado chegar.
Quero prosas e versos.
Eu inteira e meu reverso.
Eu quero.




O UNIVERSO SUSSURRA

Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...