Há muitos anos tenho o hábito de colocar no papel meus pensamentos. Passados os anos, o papel perdeu seu sentido e tais pensamentos foram parar na telinha do computador. Mas tudo começa igual: uma folha branca, uma tela vazia. E aí começam a pipocar sentimentos e verdades que insistem em se eternizar. Ganham forma, ganham força. E muitas vezes ganham um sentido maior do que realmente tem. Mas é daí que provém a mágica dessa arte. Escrever é viver o sentido íntimo da palavra. É empalar no acúleo máximo dos meus sentidos. É delinear emoções. É colorir o cotidiano. É reinventar o óbvio. É maquiar o feio. É criar o improvável, copiar o provável. É também mostrar a realidade. Nua e tua. É reviver cada momento esquecido, ora vivido e daqui pra diante sacramentado. Na verdade, é um ensaio. Ensaio de devaneios, verdades, bobagens. Apenas ensaio... E ponto.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Ensaio
Há muitos anos tenho o hábito de colocar no papel meus pensamentos. Passados os anos, o papel perdeu seu sentido e tais pensamentos foram parar na telinha do computador. Mas tudo começa igual: uma folha branca, uma tela vazia. E aí começam a pipocar sentimentos e verdades que insistem em se eternizar. Ganham forma, ganham força. E muitas vezes ganham um sentido maior do que realmente tem. Mas é daí que provém a mágica dessa arte. Escrever é viver o sentido íntimo da palavra. É empalar no acúleo máximo dos meus sentidos. É delinear emoções. É colorir o cotidiano. É reinventar o óbvio. É maquiar o feio. É criar o improvável, copiar o provável. É também mostrar a realidade. Nua e tua. É reviver cada momento esquecido, ora vivido e daqui pra diante sacramentado. Na verdade, é um ensaio. Ensaio de devaneios, verdades, bobagens. Apenas ensaio... E ponto.
Recados da vida
Que a vida manda recados é certo. E o que acontece quando não entendemos sua língua? A gente reclama que alguns acontecimentos insistem em aparecer na nossa vida. Sempre a mesma dor. Pessoas que se parecem tanto e que nos atormentam. Dificuldade eterna em conseguir tal coisa. Vamos analisar. Quando temos vivências negativas e repetidas é porque algo está passando desapercebido por nós. Não estamos sendo bons alunos. Estamos deixando passar lições valiosas. Então vem a vida, generosa como é, e nos esfrega de novo na fuça aquela questão. Ei, presta atenção, diz a vida. Enquanto permanecer de olhos vendados, vou ter que te mostrar de novo, até você entender. Entendeu?
***
Quero muito entender. Subir um degrau.
A partir de hoje sou aprendiz atenta e concentrada.
Vamos lá vida, quero passar de ano.
Presente.
Presente.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Limpando a poeira
Então vamos lá. Vamos soprar as cinzas, retirar as teias, limpar a poeira e me fazer de novo em palavras.
Muitas vezes é necessário dar uma escapulida mental (até de nós mesmos), para de fora, poder enxergar o cenário com novas lentes. E nessa breve estiagem, que mais me pareceu uma imensidão, novos tons surgiram na minha caixa de lápis de cor. Pra onde me viro encontro aprendizado. Com alegrias, com dores, com sonhos, dissabores e com amores - de todos os tipos. Sábio é aquele que não procura um caminho de flores. Não, esse não existe. Talvez o melhor caminho seja aquele feito de inquietude, garra, conquistas e, sobretudo, fé. Fé em si mesmo e no outro. Fé na sua luta diária e que ninguém a critique, só você sabe o que passa. Fé nos sentimentos superiores, que nos impulsionam para um patamar fluídico de boas vibrações. O restante vem por atração. Essa tal lei da atração que nos coloca frente a frente com aquilo que nós construimos em nosso campo energético e sintonizamos.
Então vamos lá. Vamos sintonizar amor, serenidade, profundidade.
Vamos sintonizar a poesia, onde quer que ela esteja. E olha que ela está bem aí na sua frente.
Vamos sintonizar nossa alma com a luz.
Pode entrar.
Essa colcha de retalhos também é sua.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Estiagem poética
Olho lá fora e a grama está esturricada.
Olho cá dentro e minha retina não muda essa paisagem de sertão.
Olho lá fora e vejo excesso de folhas secas deitadas ao largo.
Olho cá dentro e meu escasso repouso não encontra chão.
Lá fora o vento uiva e convida a bailar as últimas flores dos ipês.
Cá dentro a canção não se faz com uma nota só.
Lá fora a luta insana do que não pode ser.
Cá dentro as cinzas ainda em brasa.
Lá, seca.
Cá, estiagem.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Pé de sol
Eu quero mesmo é um pé de sol. Irradiando calor nas manhãs cinzentas. Transformando em luz os escuros do peito. Removendo o ácaro das prateleiras mentais. Germinando meus pensamentos ainda em semente.
Quero um pé de sol no meu quintal. Fazendo fotossíntese na minha alma. Transformando em energia o que precisa florescer. Quebrando o gelo. Queimando os papéis velhos. Reluzindo os sonhos por vir.
Meu pé de sol, é chegada a hora da colheita.
E como um girassol te sigo.
Me abraça forte ... e me renova a sorte.
v i d a
A vida é cheia de surpresas. Sustos. Espantos.
A vida é cheia de alegrias. Sorrisos. Gargalhadas.
A vida é cheia de dores. Lamentos. Lágrimas.
A vida é cheia de dúvidas. Questões. Interrogações.
Vida é assim.
Antes cheia que vazia.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Reticências poéticas
Chegou o tempo da seca esturricante. Que incendeia nossos dias com umidades tímidas e vento cortante. Uivantes sentimentos contraditórios. Mas como não pensar em poesia quando me deparo com pinturas amarelas salpicadas na aridez da minha cidade? No auge da seca ele floresce. E quanto exemplo de resiliência o ipê nos oferece. Mesmo com todas as adversidades, ele sempre volta, inteiro, premiando com potes de ouro qualquer passageiro desavisado. E um contraste inigualável de cores se faz. Consagrado como um símbolo de força e resistência, vem inspirar a transformação. Mesmo quando tudo está seco é aí que se dá a renovação. Salve ipê amarelo! Traz vida e encanto. Povoa com quimera o que está obscuro e sem sentido. Tuas flores são como borboletas a passear no ar. E mesmo quando ficam cansadas se deitam no chão para enfeitar a paisagem.
Salve ipê amarelo!
Tua intensidade me espanta.
E mesmo com tua estada breve
deixa um rastro de reticências poéticas.
Assinar:
Comentários (Atom)
O UNIVERSO SUSSURRA
Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...
-
Tantas coisas estampadas no cenário da frente. Como um luminoso a piscar freneticamente tentando chamar atenção. Fica difícil passar in...
-
A vida é implacável. Querendo ou não, a noite vem depois do dia que, invariavelmente, amanhece. Adoro amanheceres. Eles trazem uma energ...
-
A gente tenta tanto que uma hora consegue. Consegue viver um pouco sem amarras. Sem ser algoz de si mesmo. Consegue enxergar no outro um se...


