segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Limpando a poeira



Então vamos lá. Vamos soprar as cinzas, retirar as teias, limpar a poeira e me fazer de novo em palavras. 
Muitas vezes é necessário dar uma escapulida mental (até de nós mesmos), para de fora, poder enxergar o cenário com novas lentes. E nessa breve estiagem, que mais me pareceu uma imensidão, novos tons surgiram na minha caixa de lápis de cor. Pra onde me viro encontro aprendizado. Com alegrias, com dores, com sonhos, dissabores e com amores - de todos os tipos. Sábio é aquele que não procura um caminho de flores. Não, esse não existe. Talvez o melhor caminho seja aquele feito de inquietude, garra, conquistas e, sobretudo, fé. Fé em si mesmo e no outro. Fé na sua luta diária e que ninguém a critique, só você sabe o que passa. Fé nos sentimentos superiores, que nos impulsionam para um patamar fluídico de boas vibrações. O restante vem por atração. Essa tal lei da atração que nos coloca frente a frente com aquilo que nós construimos em nosso campo energético e sintonizamos. 
Então vamos lá. Vamos sintonizar amor, serenidade, profundidade.
Vamos sintonizar a poesia, onde quer que ela esteja. E olha que ela está bem aí na sua frente.
Vamos sintonizar nossa alma com a luz.
Pode entrar.
Essa colcha de retalhos também é sua.




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Estiagem poética




Olho lá fora e a grama está esturricada.
Olho cá dentro e minha retina não muda essa paisagem de sertão.
Olho lá fora e vejo excesso de folhas secas deitadas ao largo.
Olho cá dentro e meu escasso repouso não encontra chão.
Lá fora o vento uiva e convida a bailar as últimas flores dos ipês.
Cá dentro a canção não se faz com uma nota só.
Lá fora a luta insana do que não pode ser.
Cá dentro as cinzas ainda em brasa.
Lá, seca.
Cá, estiagem.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pé de sol





Eu quero mesmo é um pé de sol. Irradiando calor nas manhãs cinzentas. Transformando em luz os escuros do peito. Removendo o ácaro das prateleiras mentais. Germinando meus pensamentos ainda em semente.
Quero um pé de sol no meu quintal. Fazendo fotossíntese na minha alma. Transformando em energia o que precisa florescer. Quebrando o gelo. Queimando os papéis velhos. Reluzindo os sonhos por vir. 
Meu pé de sol, é chegada a hora da colheita.
E como um girassol te sigo.
Me abraça forte ... e me renova a sorte.

v i d a



A vida é cheia de surpresas. Sustos. Espantos.
A vida é cheia de alegrias. Sorrisos. Gargalhadas.
A vida é cheia de dores. Lamentos. Lágrimas.
A vida é cheia de dúvidas. Questões. Interrogações.
Vida é assim.
Antes cheia que vazia.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Reticências poéticas

Chegou o tempo da seca esturricante. Que incendeia nossos dias com umidades tímidas e vento cortante. Uivantes sentimentos contraditórios. Mas como não pensar em poesia quando me deparo com pinturas amarelas salpicadas na aridez da minha cidade? No auge da seca ele floresce. E quanto exemplo de resiliência o ipê nos oferece. Mesmo com todas as adversidades, ele sempre volta, inteiro, premiando com potes de ouro qualquer passageiro desavisado. E um contraste inigualável de cores se faz. Consagrado como um símbolo de força e resistência, vem inspirar a transformação. Mesmo quando tudo está seco é aí que se dá a renovação. Salve ipê amarelo! Traz vida e encanto.  Povoa com quimera o que está obscuro e sem sentido. Tuas flores são como borboletas a passear no ar. E mesmo quando ficam cansadas se deitam no chão para enfeitar a paisagem.
Salve ipê amarelo!
Tua intensidade me espanta.
E mesmo com tua estada breve
deixa um rastro de reticências poéticas.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Briga de casal

Em tantos momentos me falta medo pra tanta coragem. Em outros a coragem é personagem oculto diante do medo que se avoluma. Medo e coragem caminham juntos e tão separados. Relação de ódio e amor. Mas é inegável admitir que precisamos dos dois. Os dois fios da navalha a escarafunchar nosso ego, nossa vaidade, nossa sabedoria. Enquanto um adormece expectativas, a outra planeja milagres. Medo é mistério, coragem é poesia. Coragem é habilidade, medo pode ser inaptidão. Medo é estado de alerta. Coragem atravessa a rua na contramão. Não nega de antemão. Vislumbra com paixão.  E o medo, tadinho, tão acanhadinho, só desorientação. Então chego à conclusão: medo e coragem habitam meu coração, minha essência, minhas percepções. Medo e coragem travam épicas batalhas diariamente nas veias da inquietude que percorrem meu ser. Quem perde, quem ganha? Eu! Sou o resultado extremado dessa briga de casal, que ora me aprisiona, ora me impulsiona pra frente. E sigo adiante, ora medo - angustiante, ora coragem - modo avante!
 
 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Eu não


Adormeço meus olhos cansaços.
Amanheço meus passos largos em terras fecundas.
Jogo todo o peso dos meus ombros no chão.
Porque ele é duro e aguenta.
Eu não.

O UNIVERSO SUSSURRA

Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...