quarta-feira, 31 de julho de 2013

Briga de casal

Em tantos momentos me falta medo pra tanta coragem. Em outros a coragem é personagem oculto diante do medo que se avoluma. Medo e coragem caminham juntos e tão separados. Relação de ódio e amor. Mas é inegável admitir que precisamos dos dois. Os dois fios da navalha a escarafunchar nosso ego, nossa vaidade, nossa sabedoria. Enquanto um adormece expectativas, a outra planeja milagres. Medo é mistério, coragem é poesia. Coragem é habilidade, medo pode ser inaptidão. Medo é estado de alerta. Coragem atravessa a rua na contramão. Não nega de antemão. Vislumbra com paixão.  E o medo, tadinho, tão acanhadinho, só desorientação. Então chego à conclusão: medo e coragem habitam meu coração, minha essência, minhas percepções. Medo e coragem travam épicas batalhas diariamente nas veias da inquietude que percorrem meu ser. Quem perde, quem ganha? Eu! Sou o resultado extremado dessa briga de casal, que ora me aprisiona, ora me impulsiona pra frente. E sigo adiante, ora medo - angustiante, ora coragem - modo avante!
 
 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Eu não


Adormeço meus olhos cansaços.
Amanheço meus passos largos em terras fecundas.
Jogo todo o peso dos meus ombros no chão.
Porque ele é duro e aguenta.
Eu não.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Interrogações


E essa sensação de falta de controle que não passa? Impossível, no momento, desenhar, delinear, formatar, entender. Tudo tão vago. Tudo tão forte. Incompleto. Intenso. Confuso. É, o mundo gira com força bruta e não nos espera na estação. Na placa o aviso: embarque imediato em via de mão única. Destino: praça da vida. Modo: com aventura, vertigem e espanto. Não, não é um trem de passeio. É o trem da vida que segue e não faz retornos. Curioso perceber que, por vezes, seguimos com venda nos olhos. Sem entender muito. Apenas sentindo. E, por vezes, a lucidez nos incorpora tanto, que haja estômago para enxergar tanta realidade. O desembarque é imprevisto. Então só nos resta torcer que a viagem tenha sempre um saldo positivo. E o improvável e o provável entrem em comunhão. Mas o que fazer com tamanha sensação? E essa falta de controle que não passa?

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Leme pra que te quero.

 
 
E nós, de alma navegante, rogamos diariamente por um leme para nos orientar. Que seja preciso nas rotas a percorrer. E que transite entre a razão e a paixão, sem nos deixar à deriva de anseios, nem ancorados em uma única paisagem. Podem chegar bons ventos. Aproximem-se. Encham nosso peito de esperanças. Podem até nos levar a enfrentar tempestades, agitados mares, mas com a certeza de águas serenas no final.
Para um bom viajante, rotas.
Para minha nau, leme.
Para meu guia, você.
Içando velas e jogando ao mar esses pensamentos confusos.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Noites escuras


 
 
Pensando bem, tudo o que nos acontece tem um propósito bem maior do que a gente pode alcançar. Na hora não percebemos a grandiosidade. O entendimento às vezes é tardio. Mas quando ele chega é como alcançar a luz que esteve extinta por horas, dias, meses, anos. É como um clarão, uma explosão que expulsa dúvidas antigas e antigas palavras. Esse somatório de acontecimentos, bons e ruins, que chamamos vida, é que nos trouxe até aqui. Tantas vezes rindo, outras chorando. Mas cavucando nosso ser e desnudando nossa essência. Porque ela, nossa essência, precisa ser lapidada. Inúmeras camadas se sedimentam sobre ela diariamente. Frustração, dor, assustadoras sabotagens. Noites escuras. Mas só percorrendo nossas noites escuras é que podemos alcançar novos amanheceres. Que chegam cheios de esperança. E trazem um tudo novo por fazer. É dessa sabedoria que falo. Mesmo quando tudo parece fora do lugar, mesmo quando aceitar parece impossível, é preciso abrir a alma e respeitar o tempo. Em vez de procurar certezas, apenas semear espaços e diminuir apertos. No balanço final você vai perceber que noites escuras vêm somar. E só subtrai quem tem medo de enfrentar.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Era uma vez uma menina.


Era uma vez uma menina que entrou na minha vida. 
Ela tinha 4, quase 5 anos. E desde a primeira vez que a vi fiquei encantada. E foi recíproco. Aqueles olhinhos curiosos me olhavam de cima a baixo, como a desvendar uma novidade. E sempre havia muito carinho. Sempre havia muito sorriso. Sempre havia muitas perguntas. Inquieta e atrevida, não aceitava qualquer argumento. Conversar com ela era um ótimo exercício de afinar a retórica. Renovar-se. Oxigenar-se. Na sua infância foi plena, absoluta. Foi lindamente criança que tem asas nos pés. Adolesceu. Tornou-se jovem. E aquelas asas nos pés continuavam ali. Era como se parar fosse um crime. Num combustível de fazer inveja a qualquer um. Tinha pressa. E nem sabia porque. Estudos, viagens, projetos, peças, ensaios. Há pouco tempo fui vê-la no teatro. Sua atuação irretocável me comoveu muito. Uma atriz e tanto. Uma jovem e tanto. Que levantava bandeiras e lutava por um mundo melhor. Que não se calou. Que procurou fazer sua parte. E nos deixou muitas heranças. Muitas.
No último dia que nos vimos, com toda a sua doçura ela me disse:
- tia, eu cresci, mas pra mim você será sempre a tia Pat.
Os olhinhos brilhantes daquele dia não me saem da cabeça. Não sabíamos, nem eu, nem ela, mas aquela era uma despedida. Não posso mais vê-la com esses olhos terrenos. Mas continua forte toda essa Carolina que reverbera em mim com tanto impacto.
É, suas asas nos pés agora te levaram longe.
E sua passagem em nossas vidas nos fez muito melhores.
Pode ter certeza Carol.
Era uma vez uma menina que ficou na minha vida.

terça-feira, 5 de março de 2013

S I L Ê N C I O





Para mim não há maior espanto que o silêncio. Como pode ser grandioso. Como pode ser arrebatador. Assustador. Como pode ser doce e infinito enquanto dura. Como pode ser cruel. Como pode ser revigorante. Como pode ser êxtase. Um grito abafado. Mistério. Surpresa. Mas sempre espanto!
...
Silêncio.
...
No meu silêncio encontram-se vivências, plenitudes, saudades, comunhão, furacão, música, revelação, sossego, tormenta, confissão, sabedoria. E agora quero dizer. Em suas muitas faces prefiro o silêncio sábio. Aquele que cala quando o outro já sabe a resposta (repetir seria redundância). Aquele que perdura para eternizar o momento. Aquele que professa promessas. O silêncio que se torna santuário da prudência. Silêncio sábio esse.
...
Silêncio.
...

O UNIVERSO SUSSURRA

Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...