quarta-feira, 10 de julho de 2013

Leme pra que te quero.

 
 
E nós, de alma navegante, rogamos diariamente por um leme para nos orientar. Que seja preciso nas rotas a percorrer. E que transite entre a razão e a paixão, sem nos deixar à deriva de anseios, nem ancorados em uma única paisagem. Podem chegar bons ventos. Aproximem-se. Encham nosso peito de esperanças. Podem até nos levar a enfrentar tempestades, agitados mares, mas com a certeza de águas serenas no final.
Para um bom viajante, rotas.
Para minha nau, leme.
Para meu guia, você.
Içando velas e jogando ao mar esses pensamentos confusos.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Noites escuras


 
 
Pensando bem, tudo o que nos acontece tem um propósito bem maior do que a gente pode alcançar. Na hora não percebemos a grandiosidade. O entendimento às vezes é tardio. Mas quando ele chega é como alcançar a luz que esteve extinta por horas, dias, meses, anos. É como um clarão, uma explosão que expulsa dúvidas antigas e antigas palavras. Esse somatório de acontecimentos, bons e ruins, que chamamos vida, é que nos trouxe até aqui. Tantas vezes rindo, outras chorando. Mas cavucando nosso ser e desnudando nossa essência. Porque ela, nossa essência, precisa ser lapidada. Inúmeras camadas se sedimentam sobre ela diariamente. Frustração, dor, assustadoras sabotagens. Noites escuras. Mas só percorrendo nossas noites escuras é que podemos alcançar novos amanheceres. Que chegam cheios de esperança. E trazem um tudo novo por fazer. É dessa sabedoria que falo. Mesmo quando tudo parece fora do lugar, mesmo quando aceitar parece impossível, é preciso abrir a alma e respeitar o tempo. Em vez de procurar certezas, apenas semear espaços e diminuir apertos. No balanço final você vai perceber que noites escuras vêm somar. E só subtrai quem tem medo de enfrentar.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Era uma vez uma menina.


Era uma vez uma menina que entrou na minha vida. 
Ela tinha 4, quase 5 anos. E desde a primeira vez que a vi fiquei encantada. E foi recíproco. Aqueles olhinhos curiosos me olhavam de cima a baixo, como a desvendar uma novidade. E sempre havia muito carinho. Sempre havia muito sorriso. Sempre havia muitas perguntas. Inquieta e atrevida, não aceitava qualquer argumento. Conversar com ela era um ótimo exercício de afinar a retórica. Renovar-se. Oxigenar-se. Na sua infância foi plena, absoluta. Foi lindamente criança que tem asas nos pés. Adolesceu. Tornou-se jovem. E aquelas asas nos pés continuavam ali. Era como se parar fosse um crime. Num combustível de fazer inveja a qualquer um. Tinha pressa. E nem sabia porque. Estudos, viagens, projetos, peças, ensaios. Há pouco tempo fui vê-la no teatro. Sua atuação irretocável me comoveu muito. Uma atriz e tanto. Uma jovem e tanto. Que levantava bandeiras e lutava por um mundo melhor. Que não se calou. Que procurou fazer sua parte. E nos deixou muitas heranças. Muitas.
No último dia que nos vimos, com toda a sua doçura ela me disse:
- tia, eu cresci, mas pra mim você será sempre a tia Pat.
Os olhinhos brilhantes daquele dia não me saem da cabeça. Não sabíamos, nem eu, nem ela, mas aquela era uma despedida. Não posso mais vê-la com esses olhos terrenos. Mas continua forte toda essa Carolina que reverbera em mim com tanto impacto.
É, suas asas nos pés agora te levaram longe.
E sua passagem em nossas vidas nos fez muito melhores.
Pode ter certeza Carol.
Era uma vez uma menina que ficou na minha vida.

terça-feira, 5 de março de 2013

S I L Ê N C I O





Para mim não há maior espanto que o silêncio. Como pode ser grandioso. Como pode ser arrebatador. Assustador. Como pode ser doce e infinito enquanto dura. Como pode ser cruel. Como pode ser revigorante. Como pode ser êxtase. Um grito abafado. Mistério. Surpresa. Mas sempre espanto!
...
Silêncio.
...
No meu silêncio encontram-se vivências, plenitudes, saudades, comunhão, furacão, música, revelação, sossego, tormenta, confissão, sabedoria. E agora quero dizer. Em suas muitas faces prefiro o silêncio sábio. Aquele que cala quando o outro já sabe a resposta (repetir seria redundância). Aquele que perdura para eternizar o momento. Aquele que professa promessas. O silêncio que se torna santuário da prudência. Silêncio sábio esse.
...
Silêncio.
...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Semáforo



Tantas coisas estampadas no cenário da frente. Como um luminoso a piscar freneticamente tentando chamar atenção. Fica difícil passar incólume diante de tanta claridade. Sabe quando fica tudo esclarecido? E nos cabe apenas decidir qual a cor do semáforo vamos perseguir. Preferindo o vermelho e ficando exatamente onde está. Lugar cômodo, mas de poucos cômodos. Com perspectivas previsíveis. Ou quem sabe seguindo em estado de alerta eternamente, com realizações medianas. Amarelando emoções. Mas também podemos optar por seguir. Destemidos em terreno desconhecido, mas fascinante. Verdes brados retumbantes. Onde o inusitado pode habitar novas estradas e a tão sonhada plenitude venha nos visitar.
Escolhas. Sempre escolhas...
É, seja qual for a sua escolha, dê a si, a sua preferência.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O mundo sem rodinhas

E aconteceu... ele andou de bicicleta sem as rodinhas de trás. Que emocionante ver a emoção do meu filho. Queria tanto e conseguiu! No primeiro treino, amparado e impulsionado pelo amoroso pai, foi embora... sozinho...feliz...confiante...emocionado. Quanta vibração. E como foi contagiante vê-lo pulando de alegria por tão nova e deliciosa conquista. Agora ele sente o mundo diferente. Quando menos esperou, estava equilibrado na bicicleta, sozinho, sem notar que não precisava mais das rodinhas de trás. Ele estava pronto. E as rodinhas estavam ali apenas para que ele soubesse. Apenas para, como tão sabiamente eu li num texto outro dia, que ele " fizesse da serenidade um ponto de partida."
...
Na vida é assim.
Quando queremos muito alguma coisa é porque estamos prontos.
Prontos para enfrentar os desafios, experimentar emoções novas, encarar as dificuldades do por vir.
...
E que a serenidade seja sempre o ponto de partida.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Avançar


 
Nem sempre ir em frente significa avançar.
Por vezes seguimos freneticamente, a passos largos, imbuídos do intuito de não parar. E tantas vezes, devorados por essa inércia, não percebemos que continuamos no mesmo lugar. Avançar implica em perdas e dores. Avançar nos faz melhores, mas nos traz cicatrizes. Avançar não é esquecer ou banir. É entender onde estamos e dar, conscientemente, um passo a frente. Com toda a inquietude da lucidez. Com o espanto de um tapa na cara. Com o susto de quem parou para entender o recado da vida.
É, nem sempre ir em frente significa avançar.
Pássaros indomáveis nos puxam para frente, quando muitas vezes precisamos é ficar.

O UNIVERSO SUSSURRA

Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...