Por mais que eu queira
Por mais que eu não queira
De tudo
Por tudo
A tanto
Portanto
Sei do seu encanto
E ponto.
terça-feira, 12 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
A caverna nossa de cada dia
Hoje deparei-me com um ser embrutecido. Sim, embrutecido. Fiquei imaginando quantas camadas de tristeza, de rancor, de frustração se solidificaram em seu redor. E como é difícil transpor cada uma delas pra chegar perto daquilo que esse ser realmente é. Fico imaginando como é complicado pra ele conviver consigo mesmo, preso às suas próprias amarras. Lutando ferozmente contra seu próprio fantasma que o atordoa. Como numa caverna fria e úmida, sem uma nesga de claridade. Com pouco oxigênio e nenhuma disposição pra sair.
E depois de tanto refletir, fico imaginando quanto disso temos em cada um de nós. Quantas cavernas sombrias nos habitam? Quanta vontade de aflorar e florir, tolida e cimentada por julgamentos vis? É! Quem nunca se sentiu assim que nos conte aqui. Procurar a luz na caverna nossa de cada dia é um desafio. E encontrar, uma urgência.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Abaixo a mornidão
A vida e suas facetas felizes. De repente você amanhece num dia morno, com sol morno, vento morno. Mornidão assustadora para uma ariana legítima. Mornidão que está perto daquele incômodo cisco no olho, que te impede de enxergar além, que leva a alma a uma envergadura extrema em busca de luz.
E basta uma rajada de vento (e vem ele com tanta força) para aquecer aquele sopro falho de calor. Bendita rajada de vento que transforma mornidão em vulcão. E, apesar das erupções involuntárias e sem aviso, ainda prefiro assim. Vida vulcão. Porque de morna basta a água empoçada.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Toque
O sopro de vida esperado
vem galopando.
Me persegue.
E, por vezes, me toma por inteiro
e me despe.
É o inesperado à galope.
É a emoção daquele toque.
vem galopando.
Me persegue.
E, por vezes, me toma por inteiro
e me despe.
É o inesperado à galope.
É a emoção daquele toque.
Retalhos antigos 2
SAUDADE
Saudade.
Ausência daquele quê que me envolvia e me fazia tão mulher.
Tudo era tão intenso e por isso mesmo tão perto da morte. Morte do nosso tempo.
E entre um ágape e outro, quanta história, quanta memória farta de sedução.
Os olhos ainda brilham, mas se esqueceram que eram narcisos e não se procuram mais.
Aquela cumplicidade toda, agora se dilui. É como se um ácido ousasse corroer o que havia de mais eterno. É como se aquele vulcão fingisse se tornar um sopro falho de calor. É como se eu engolisse o desaforo do mundo. E engolida não posso sequer falar. Calar é o meu desespero. O que me resta é aquele resto de olhar, que tímido esqueceu-se de toda emoção. Esquecemos um do outro. Esqueci de dizer o quanto amei. Amei-te. Em meio a tanta loucura pensei estar explícito o que para mim era a única verdade. Esqueci, mas esqueceu-se também. Esqueceu-se do abrigo, do afago, do mundo que despejei sobre teus pés e era a ti destinado. Esqueceu-se de tentar vingar aquela semente cujas raízes afundaram.
E nossa amizade, tão sincera, foi a mais esquecida e enterrada. Agora jaz numa rua sem esquina. Sem uma quilha que a faça retornar. Não há chance de sobrevivência. Os pássaros do acaso não ousam mais pousar sobre meus ombros. Um grito abafado ecoa e se perde na madrugada vazia. Vampira noite que me engole, gole a gole, e me embriaga de lucidez.
A noite e eu num ágape de solidão.
A noite provocando prazeres e desenhando com estrelas uma realidade mais colorida, de onde provém fluidos únicos de bem-estar e um estado quase feliz.
Sem você, mas quase feliz.
Sem você, mas pela primeira vez, plena de mim.
(década de 90)
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Ensaio e retalhos
ENSAIO
Há muitos anos tenho o hábito de colocar no papel
meus pensamentos. Passados os anos, o papel perdeu seu sentido e tais
pensamentos foram parar na telinha do computador. Mas tudo começa igual: uma
folha branca, uma tela vazia. E aí começam a pipocar sentimentos e verdades que
insistem em se eternizar. Ganham forma, ganham força. E muitas vezes ganham um
sentido maior do que realmente tem. Mas é daí que provém a mágica dessa arte.
Escrever é viver o sentido íntimo da palavra. É empalar no acúleo máximo dos meus
sentidos. É delinear emoções. É colorir o cotidiano. É reinventar o óbvio. É
maquiar o feio. É criar o improvável, copiar o provável. É também mostrar a
realidade. Nua e tua. É reviver cada momento esquecido, ora vivido e daqui pra
diante sacramentado. Na verdade, é um ensaio. Ensaio de devaneios, verdades,
bobagens.
Apenas ensaio...e ponto.
RETALHOS
Fragmentos. Pedaços. Momentos. Instantes. Talhos.
Uma colcha que vai sendo confeccionada aos
poucos, tecida com preciosas impressões, costurada com valiosas e precisas
linhas. Linhas do tempo. Tempo que soa, ecoa, e me prova que nada é à toa. Uma
riqueza de detalhes que juntos vão desenhando uma história. História de muitas
gentes, relatos apaixonados, falas engasgadas, verdades vomitadas. Luxo e lixo.
Escandalosas verdades. Instigantes reportagens.
Sim, retalhos.
E assim eu sigo, três pontinhos...
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Outono
E quando a retórica começa a ficar gasta, procuro no fundo do ser palavras que possam alcançar a amplitude do outro ser. Que sejam capazes de promover espanto. Que façam sinos tocarem. Corações verdejarem. Sensações aflorarem. Horizontes se modificarem. Porque palavras podem mudar um mundo. Uma vida. Um sonho. Uma despedida. Mesmo aquelas palavras cansadas que, como as folhas de outono, deitam-se no chão para enfeitar a paisagem.
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