quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sem ensaio

E a vida segue sendo apresentada sem ensaio.
O desafio é interpretar bem e improvisar melhor ainda.
Porque sempre é preciso.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ensaio da alegria

A gente tenta tanto que uma hora consegue. Consegue viver um pouco sem amarras. Sem ser algoz de si mesmo. Consegue enxergar no outro um ser igual a você. Nem mais, nem menos. Simplesmente alguém que também é passageiro desse mundo. E que delira com os altos. E que se entristece com os baixos. E, de preferência, que se incomoda com o morno. Mas segue. E, como você, entende que a felicidade é o aqui. O que foi, o agora já tornou ontem. É alavanca. O que será nem existe ainda. E tantas vezes não existirá. Portanto foco. Foco no hoje. Lindo, perfeito, desejável. Foco nessa alegria de viver que sobrevive a qualquer inconstância. Porque essa sim é uma constante. E já dizia Jorge Amado: "a vida é feita de acontecimentos comuns e de milagres". Eu fico com os milagres. Aqueles que acontecem todos os dias. E que, tantas vezes, nos faltam olhos para enxergar.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Trem da vida

E essa sensação de falta de controle que não passa? Impossível, no momento, desenhar, delinear, formatar, entender. Tudo tão vago. Tudo tão forte. Incompleto. Intenso. Confuso. É, o mundo gira com força bruta e não nos espera na estação. Na placa o aviso: embarque imediato em via de mão única. Destino: praça da vida. Modo: com aventura, vertigem e espanto. Não, não é um trem de passeio. É o trem da vida que segue e não faz retornos. Curioso perceber que, por vezes, seguimos com venda nos olhos. Sem entender muito. Apenas sentindo. E, por vezes, a lucidez nos incorpora tanto, que haja estômago para enxergar tanta realidade. O desembarque é imprevisto. Então só nos resta torcer que a viagem tenha sempre um saldo positivo. E o improvável e o provável entrem em comunhão. Mas o que fazer com tamanha sensação? E essa falta de controle que não passa?

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Retalhos atuais

Ontem achei um caderno precioso. Pedaços de mim em tinta e papel. Fragmentos de outrora. Retalhos indispensáveis à colcha que hoje ainda costuro. Impressionante perceber como minha caminhada sempre foi permeada por um amor incomensurável. Uma vontade, quase que insuportável, de ser feliz. Um desejo ardente de gritar ao mundo o que não cabia dentro de mim. As palavras escritas sempre foram meu desabafo. Era como se um vulcão entrasse em erupção e, como que por encanto, lá estava eu, de novo, em tinta e papel. Ainda hoje é assim. Me eternizo através da escrita. Carimbo minha existência em retalhos de emoção. E continuo minha caminhada. E agora digo: preciso me mostrar inteira e plena, pois o meu coração é TODO paixão, amor, poema.

Do baú

E de repente me vejo assim: nua. Sem lenço, nem documento. Coração viajando sem rumo. E continua-se a caminhada. Um sorriso aqui, uma quase felicidade ali. Tudo que se mescla e por momentos me faz quase feliz.  E se projeta uma fuga: a vida é linda e eu vivo muito. Em cada segundo faço mil coisas e penso preencher meu tempo. Mas, certas vezes, como nesse momento, me vem aquela cobrança. Mas aonde colocar tanta lembrança? Onde esconder tanta saudade?  E como me mostrar inteira e plena, se no meu coração jaz tanta paixão, amor, poema...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sem rima

Por vezes as palavras me engasgam. Temem por sair e virar um tsunami. Melhor calar. Melhor sabê-las silenciosamente do que pesar. Melhor absorvê-las do que gritar. Esse deve ser um sábio momento. Aquele em que teu silêncio vale mais do que teu verso.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Reflexos de si mesmo

Querendo ou não, todos nós somos terreno desconhecido. Quem nunca se surpreendeu com seus próprios atos? Surpreender-se com os atos alheios é fácil. O difícil é o encontro com nosso espelho. Aquele que te devolve a imagem de quem realmente és. Aquele que não mente. Aquele que te aponta com dedos dóceis ou árduos suas qualidades e imperfeições. Feliz de quem faz uso consciente do seu espelho. Feliz de quem aceita a imagem que ele reflete. Porque o encontro com si mesmo, tantas vezes tão dolorido, é primeiro passo da superação. É preciso coragem para pousar os olhos sobre ele com a iniciativa da mudança. É preciso perseverança para encará-lo sem os véus da mácula. Alcançamos novos rumos quando aceitamos toda a vastidão do nosso ser. 
Sabedoria é saber encarar-se!

O UNIVERSO SUSSURRA

Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...