Por vezes as palavras me engasgam. Temem por sair e virar um tsunami. Melhor calar. Melhor sabê-las silenciosamente do que pesar. Melhor absorvê-las do que gritar. Esse deve ser um sábio momento. Aquele em que teu silêncio vale mais do que teu verso.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Reflexos de si mesmo
Querendo ou não, todos nós somos terreno desconhecido. Quem nunca se surpreendeu com seus próprios atos? Surpreender-se com os atos alheios é fácil. O difícil é o encontro com nosso espelho. Aquele que te devolve a imagem de quem realmente és. Aquele que não mente. Aquele que te aponta com dedos dóceis ou árduos suas qualidades e imperfeições. Feliz de quem faz uso consciente do seu espelho. Feliz de quem aceita a imagem que ele reflete. Porque o encontro com si mesmo, tantas vezes tão dolorido, é primeiro passo da superação. É preciso coragem para pousar os olhos sobre ele com a iniciativa da mudança. É preciso perseverança para encará-lo sem os véus da mácula. Alcançamos novos rumos quando aceitamos toda a vastidão do nosso ser.
Sabedoria é saber encarar-se!
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Intensidade
Muitas vezes fui chamada de exagerada. Mas consegui compreender que o exagero para mim era sinônimo de intensidade. Ser intensa afronta. Perturba. Ser intensa, às vezes, fere. Mas, ser intensa eleva minha sensibilidade. Dilata meus poros. Aguça meu paladar. A intensidade nos faz experimentar o dia-a-dia com lentes de aumento, novas tintas, sabores que ultrapassam as medianas aspirações. A intensidade alcança o profundo. E o voo explica o abismo. Por isso doses diárias de intensidade promovem mágicas exclamações. Tá servido?
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Olhar
Um olhar diz tanto.
Confessa palavras. Desnuda segredos.
Provoca. Fotografa. Lê.
Um olhar, apenas um olhar e toda aquela ânsia de chegar...
Confessa palavras. Desnuda segredos.
Provoca. Fotografa. Lê.
Um olhar, apenas um olhar e toda aquela ânsia de chegar...
Cantiga de amor
Um dia de apresentação. Olhos atentos, surpresas vindouras. Magia no ar. E tem início aquele que foi um espetáculo de arte, de beleza, de textos indizíveis. Um espetáculo que representou com tantos sentimentos, os olhos e os corações de seis amigos. Vinte e um anos se passaram. Os amigos seguiram seus rumos. Suas estradas que, agora, novamente se cruzam. Incrível vida que sempre nos dá uma segunda chance. E um novo encontro acontece validando a máxima de que a afinidade não conhece limites, nem barreiras, nem o tempo. Ela é um laço que se fortifica também mediante os obstáculos. Ela floresce a cada respingo de saudade. E transborda a cada movimento de união. Seis amigos que estiveram sempre unidos. Sempre. Por laços invisíveis, por sonhos comuns. Agora é hora de fazer esse espetáculo de novo. É hora da chuva florescer a terra que ficou tão árida de ausências. E encantar platéias novamente com tanta poesia.
"Do que partiu é saudade. O que ficou é lamento. Tudo sob sol forte, que nem alivia o vento. Espero que volte João. E fico com toda a dor. Dor que é mais forte no peito. Maior inté que o calor. Já que não vejo e sinto. Feito cantiga de amor."*
*Texto extraído da peça "O Sertanejo", de autoria de Helder Martins, 1990.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Ciclos
Essa vida feita de ciclos está sempre a nos fazer dar voltas. Às vezes completas. Por vezes inacabadas. Sábia vida que nos põe sempre em teste. Lá atrás muitas lições podem ter passado desapercebidas. Muitas experiências podem ter sido parcialmente vividas. E lá vem a vida, tempos depois, mostrando tudo de novo. Aquilo que você não quis enxergar. Aquilo que você, por medo, preguiça ou imaturidade, não quis apreender... Caminhos retos não levam a lugar algum. É preciso andar em círculos, seguir, recuar, dar voltas, pegar atalhos. Desorientar-se.
Para ser o que se é hoje, muitos caminhos tortos foram percorridos. Muitos endereços não foram encontrados. E as placas de aviso, ah... as placas de aviso, estavam ali só para serem desrespeitadas. Com o afã de quem quer encontrar o caminho com tentativas próprias e não seguindo receitas prontas, muitas vezes mais fáceis, mas nunca com os fantásticos ingredientes inusitados do acaso.
Para ser o que se é hoje, muitos caminhos tortos foram percorridos. Muitos endereços não foram encontrados. E as placas de aviso, ah... as placas de aviso, estavam ali só para serem desrespeitadas. Com o afã de quem quer encontrar o caminho com tentativas próprias e não seguindo receitas prontas, muitas vezes mais fáceis, mas nunca com os fantásticos ingredientes inusitados do acaso.
domingo, 26 de junho de 2011
Essa surpresa...
Como é incrível ser surpreendido. Pássaros do acaso pousando sobre nossos ombros. Borboletas multicoloridas escolhendo nossas janelas. Pessoas encontrando o que temos de mais precioso. A surpresa é o inesperado à galope, a emoção daquele toque, um olhar que nunca morre. É eterna por segundos. Porque quando nos surpreendemos ficamos extasiados, mudos, telepáticos. E apenas a nós cabe a grandiosidade daquele instante. A surpresa nos encontra tímidos, virgens daquela emoção. E quanta atribulação provoca. Uma mistura singular de sentimentos. Difícil explicar. Melhor sentir. Estou sempre faminta da tua aura, surpresa! Venham, venham surpresas... venham servir minha mesa.
Assinar:
Comentários (Atom)
O UNIVERSO SUSSURRA
Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...
-
Tantas coisas estampadas no cenário da frente. Como um luminoso a piscar freneticamente tentando chamar atenção. Fica difícil passar in...
-
A vida é implacável. Querendo ou não, a noite vem depois do dia que, invariavelmente, amanhece. Adoro amanheceres. Eles trazem uma energ...
-
A gente tenta tanto que uma hora consegue. Consegue viver um pouco sem amarras. Sem ser algoz de si mesmo. Consegue enxergar no outro um se...