segunda-feira, 13 de abril de 2026

O UNIVERSO SUSSURRA


Tem silêncios que não são vazios,
são profundos demais para caber em palavras.

Olho essa imensidão
e algo em mim se aquieta,
como quem lembra, de repente,
do seu verdadeiro tamanho:
pequeno
e, ainda assim, infinito.

Somos poeira de estrelas
aprendendo a amar no escuro,
acendendo uns aos outros
no meio do nada que, no fundo, é tudo.

E talvez seja isso:
o universo não grita,
ele sussurra.

E quem escuta,
nunca mais é o mesmo.




( foto: @nasa )

 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

O que fica quando o ano se despede?

 


O ano se aproxima do fim.

E, antes de perguntar “o que eu conquistei?”, surge uma pergunta mais profunda, quase silenciosa:
o que este ano me pediu para soltar?

Nem todo ciclo é sobre avançar.
Alguns são sobre atravessar com coragem o que não foi possível evitar.
Outros, sobre aquietar o ruído externo para ouvir a voz interna, aquela que aponta o caminho quando tudo parece incerto.
Há anos que nos ensinam que força também é pausa,
que sabedoria também é sentir,
e que recalibrar não é retroceder, é alinhar.

Que o novo ano não comece apenas com metas,
mas com presença.
Não apenas com planos,
mas com energia limpa, disponível para o que realmente importa.

Nem todo progresso pode ser medido.
Alguns se revelam na maturidade das escolhas.
Outros, na coragem de estabelecer limites.
Ou na decisão silenciosa de mudar a rota e recomeçar de um lugar mais verdadeiro.

Que o próximo ciclo nos encontre mais conscientes do que carregamos, mais responsáveis pela energia que cultivamos e mais conectados ao sentido profundo de estar, viver e contribuir.

Porque recomeçar, muitas vezes, não é fazer mais, é soltar o excesso para seguir mais inteiro.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Os muitos caminhos da escrita


Cada pessoa tem um jeito muito próprio de criar.

Alguns precisam do silêncio absoluto. Outros, do barulho do mundo. Há quem encontre inspiração no caos e há quem precise de calma para transformar pensamentos em texto. E é justamente essa diversidade de processos criativos que torna a escrita tão fascinante.

Eu penso que devemos explorar todas as situações para expressar emoções e imprimir retóricas.

No meu viés redatora publicitária, entre prazos, métricas e campanhas, aprendi a escrever mesmo quando a inspiração não dá as caras. A gente aprende a transformar o caos em matéria-prima, a lapidar a entrega até que o texto respire e toque alguém. E a escrita pode ser tanto técnica quanto catarse. Ela pode vender ou simplesmente libertar.

No meu viés escritora, não há briefing nem meta, só o fluxo. As palavras me atravessam e me revelam. É nesse lugar que a escrita deixa de ser ferramenta e vira essência. Escrevo para compreender o que sinto e dar forma ao invisível. É um espaço onde o tempo desacelera e o texto deixa de ser entrega para se tornar existência.

No fim, cada processo criativo é um espelho de quem somos e é nessa pluralidade que a escrita continua sendo arte, ofício e autoconhecimento.

Talvez o mais bonito da escrita seja isso: ela sempre encontra um caminho!

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Mais você, por favor!



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Fim de ano chegando e junto com ele um burilar de emoções pipocando dentro do peito. A retrospectiva é inevitável. Mas o mais relevante nesse momento é um olhar maduro sobre o que foi projetado versus o que foi realizado. Será que conseguimos atingir nossos objetivos no ano que se finda? Será que realmente nos esforçamos para isso? Nessa era acelerada, às vezes nos falta tempo de focar e lutar. Muitas vezes somos engolidos pela inércia do dia-a-dia castigante e sobra pouco ou nenhum tempo para cuidar dos nossos propósitos mais íntimos.

Avaliando bem, sempre vai ficar faltando algo a realizar. E isso não é ruim. É mola propulsora para ganharmos força para tentar de novo. Algo mágico acontece naquela viradinha do dia 31 para o dia 1º do ano que chega e que insistimos que seja novo. Novo. Isso nos infla de esperança, força e um desejo gigante de renovação.

Conquistas e vitórias são importantes. Colecionar momentos bons é melhor ainda. Toda vitória requer esforço e dedicação e vem salpicada com aquele gostinho de sucesso. Muitas vezes essas vitórias vêm revestidas de bronze, prata, ouro, títulos, cargos, aquisições. Bom isso. Mas as maiores vitórias, talvez as mais verdadeiras, não colocam a gente em um palco para sermos aplaudidos. Acontecem de modo silencioso quando conseguimos transformar a vida das pessoas para melhor. O encanto de ser motivo de alegria para o outro é o melhor prêmio a ser conquistado.

Pare. Pense. Transforme vidas. Encante corações. Distribua gentileza. Seja ombro amigo. Seja sorriso largo. Abraço aconchegante. Olhar atencioso. Ouvido cuidadoso. Seja a parte mágica que você espera do outro. E da vida. Ela vai te devolver em troca. Ela vai te chamar e dizer ao pé do ouvido: muito bem, você transforma vidas. E aí o milagre acontece.

Fico pensando que existimos para  transformar. E não há nada mais lindo, nada mais corajoso. Somos desenhistas, arquitetos, projetistas e escritores da nossa própria estória. Renove-se. Se o seu lápis estiver com a ponta quebrada, aponte-o! E parta para a ação.

Olhe pra dentro. Enxergue-se com olhos mais doces.

Mais amor!
Mais você, por favor!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O que será do caos?

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O que gera o caos?
O caos gera revolta. Gera vazio. Gera inquietude. 
Quando a desordem interior é tão grande e profunda, vivemos cerceados pelo sentimento da impotência. Da falência de atitudes regeneradoras. De olhos sorrindo.
Esse emaranhado de sentimentos confusos nos rouba as cores, os cheiros, as expectativas no positivo.
Tão difícil atravessar desertos sem perspectivas de oásis.
Tão difícil alimentar esperanças desesperançadas.
Difícil mesmo é acreditar na mudança.
Mas ela vem. Cedo ou tarde. De dia, de noite ou na madrugada vazia.
Vadia noite que me engole, gole a gole, e quase me priva de enxergar sua magia.
O caos gera instabilidade. Gera riscos descabidos. Gera intranquilidade e complexas fugas.
Mas é esse caos que gera a vida.
Alerta ao caos. Ele não é prejudicial à saúde.
E pode gerar estrelas.
Já dizia Nietzsche.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Embalo

Sigo no embalo dos acontecimentos. Tantas vezes difíceis, outros, poucos, surpreendentemente leves. Embalos lembram ondas. Lembram rede. Balanço. Um ir e vir de sensações que pulam de um galho a outro e que não se aquietam. Aquietar um coração é tarefa difícil. Parece um indomável ser com força e vontade próprias. Por vezes digo a ele baixinho: sossegue, é apenas uma parte da travessia. Quem sabe possamos alcançar mares de calmaria? E uma esperança frágil se atreve a surgir, ensolarando de novo aquele rosto sombrio. Calmaria é uma parada técnica, uma pausa necessária. Tempo de refletir. Mas eis que lá vem o embalo, do outro lado, de novo. E trás de volta velhas sensações contraditórias. Tempestades. Esse balanço... Nem bom, nem mau. Nem meu, nem seu. Embalo da vida. Vida irriquieta e indomável. 
Sigo no embalo dos acontecimentos.
Tem nada não.
Grandes marinheiros conhecemos em mares revoltos.




quinta-feira, 7 de abril de 2016

Re-começar



A vida é implacável.
Querendo ou não, a noite vem depois do dia que, invariavelmente, amanhece.
Adoro amanheceres.
Eles trazem uma energia nova para tudo.
Inclusive para assuntos velhos e pesadelos reticentes.
Amanheceres trazem novos pontos-de-vista.
É impressionante como às vezes passamos a noite a desenhar nosso próximo dia, maquinando, refletindo, encaixando uma coisa aqui, outra ali. Revivendo nossa trajetória, nossos "por fazer".
Noites escuras.
Aí vem o dia. E esclarece.
É tão bom poder começar.
Mesmo que seja um dia novo.
Cheio de possibilidades.
É tão bom poder re-começar.
Com uma nova idade
E um tudo novo por fazer.

sábado, 25 de abril de 2015

Resiliência

Lembro-me bem da primeira vez que fui apresentada a esse termo. Havia uma hora que falava sem parar frente a uma psicóloga. Na verdade era a primeira vez que estava ali, naquele consultório que não me era familiar, mas cujas circunstâncias me levaram lá. E então, depois de vomitar tudo que me engasgava, eu ouço apenas: resiliência! Num tom seco e curto. R-E-S-I-L-I-Ê-N-C-I-A. Rapidamente parei para pensar se tudo aquilo que eu acabara de falar sofridamente se resumia a um único termo. Mas antes mesmo que pudesse exteriorizar minha interrogação me veio uma ordem: - Essa é sua tarefa de casa. Pesquise, entenda, compreenda a resiliência. E lá fui eu então me ocupar de minha nova tarefa.
"A psicologia tomou essa imagem emprestada da física, definindo resiliência como a capacidade do indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, etc. No campo das relações humanas, é compreendido como um processo que excede a simples superação de experiências, já que permite ao indivíduo sair fortalecido por elas, superar, o que necessariamente promoveria a saúde mental."
Então era isso. Quanto mais compreendia o significado daquele termo, mais ele se amplificava e ecoava dentro de mim. Não basta superar os obstáculos, é preciso ser mais forte do que antes. Antes daquela tempestade, avalanche, enchente, tormenta. Pode chamar como quiser o seu problema. Porque, afinal de contas, ele é seu, e só você sabe o peso que ele te traz. Entendi também que, quanto maior o problema, mais fortalecido se pode sair do embaraço. Mas não é uma simples tarefa. A resiliência tem e deve ser conquistada por nós. Passei então a me enamorar do termo. Ficamos namorando um bom tempo. Sabe início de namoro, quando você quer saber o máximo do outro? Foi assim. Descobri que uma pessoa resiliente não se abate facilmente, usa toda a sua energia para lutar e, o melhor, não culpa ninguém pelos seus fracassos. Isso para mim foi o melhor. E o casamento aconteceu. Meu e da resiliência. Busco ela diariamente. Trago-a para o meu convívio sempre que preciso. Sinto que minha capacidade de envergadura aumentou. E o aprendizado obtido com os obstáculos tem sido revigorante. E quando me lembro daquele dia que ouvi pela primeira vez 'resiliência', e que já faz tanto tempo, minha alma sorri. Porque hoje sou mais plena que antes. Uma poetisa que tanto amo, há muito tempo, muito antes disso, já me dava esse precioso recado: R-E-S-I-L-I-Ê-N-C-I-A.

"Aprendi com a primavera a cortar-me e a voltar sempre inteira".

Quanta resiliência Cecília!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Eu quero




Então está combinado.
Quero um dia de coração leve, notícias boas, esperanças verdejantes.
Quero um café da manhã demorado, salpicado com minha leitura predileta.
Quero dar bom dia com vontade aos que cruzarem meu caminho.
Quero sorriso no rosto ao olhar pro céu e enxergar formas nas nuvens.
Sim, eu enxergo formas nas nuvens. Desde pequena.
Quero enxergar esperança nos olhares. E brilho também.
Quero telefonar para aquela velha amiga e escutar sua voz.
Quanto tempo não ouço sua voz. Apenas imagino o que está por trás das linhas que ela teclou.
Quero quebrar barreiras do mal entendido. Aquelas situações em que você jura que entendeu, mas na verdade percebeu tudo errado.
Quero sentir o cheiro daquelas flores que enfeitam minha sala e que eu já não dou tanta bola.
Quero almoçar sem olhar no relógio.
Andar a pé. Sentir o vento no rosto. E se der sorte a chuva no corpo.
Eu quero.
Quero voltar a escrever, deixar fluir minha maior paixão.
Que as palavras novamente me façam.
Tomem minha forma.
E eu cá estou, sentada num amontoado de palavras esperando meu cavalo alado chegar.
Quero prosas e versos.
Eu inteira e meu reverso.
Eu quero.




quinta-feira, 29 de maio de 2014

Compasso do tempo

  
 
Tem dia que, de um segundo pro outro, vira poesia.
Tem silêncio que, de um minuto pro outro, vira presença.
Tem inquietude que, de uma hora pra outra, vira aconchego.
Tem juízo que, de um dia pro outro, vira poeira.
Tem rock que, de um acorde pro outro, vira blues.
De um olhar pro outro,
tem chão árido que vira tapete de flores.
E o compasso do tempo pára.


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Cronômetro da vida

 


 

Às vezes tenho um pouco de preguiça de gente rancorosa. Gente que guarda dentro de si o que precisa ser resolvido do lado de fora. Gente que escolhe se esconder, e encolher, do que esticar e perceber que é possível relativizar.
Diante de tanta coisa difícil que tem na vida, penso que rancor é como um passo de caranguejo. É mesmo andar pra trás e escolher azedar o coração. Entornar a poção. Dilacerar a razão. Sem perceber, e agradecer, a oportunidade de melhorar. De perdoar. De oferecer em vez de recolher.
Sou a favor da generosidade. Aquela generosidade feita de braços abertos e sábios. Porque uma mágoa guardada não tem uma morada feliz. Mas uma mágoa trabalhada... ah, essa vira força motriz.
Esse é um convite para mudar o olhar e engrandecer a alma.
O cronòmetro da vida agradece.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Exclamações mágicas

Muitas vezes fui chamada de exagerada. Mas consegui compreender que o exagero para mim era sinônimo de intensidade. Ser intensa afronta. Perturba. Ser intensa, às vezes, fere. Mas, ser intensa eleva minha sensibilidade. Dilata meus poros. Aguça meu paladar. A intensidade nos faz experimentar o dia-a-dia com lentes de aumento, novas tintas, sabores que ultrapassam as medianas aspirações. A intensidade alcança o profundo. E o voo explica o abismo. Por isso doses diárias de intensidade promovem mágicas exclamações. Tá servido?

quinta-feira, 13 de março de 2014

Tempo de ser inteiro.


Na vida a gente tem tempo que está pra fora, tipo girassol acompanhando a luz. E tem tempo que a gente está pra dentro, tipo pérola dentro da ostra. Seja qual for o momento, lembre-se, é tempo de ser inteiro. Tanto na exuberância de dias intensos, quanto na reclusão de momentos íntimos e singulares, precisamos viver por inteiro cada fase. Sim, somos feitos de fases. Fases que se completam, ou se intercalam, ou se sobrepõem, ou se repetem. Mas fases. 
Angustiantes são aqueles momentos de transição. Nem uma fase, nem outra. Sensação de tempo perdido, de falência dos sentimentos, de incompletude. Inércia temida que consome. Mas no fundo uma inércia importante. Que nos inquieta, que nos freia, que nos leva a reflexão. E somente assim, muitas reflexões depois, podemos pular de fase. É, esse passaporte muitas vezes é bem trabalhoso de se conseguir. 
Ser inteiro carrega um custo.
Em nosso próprio benefício.
Então mãos a obra, coração nos olhos, força na peruca. E tudo mais que você preferir.
Isso. Prefira ir.




quarta-feira, 12 de março de 2014

Tanto


Em cada canto do desnudo encanto,
esconde-se um pranto tonto.
Em cada vírgula do entretanto,
encontra-se a resposta do portanto.
Porquanto só me resta o tanto.
O tanto que permanece sob encanto.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

De frente pro espelho.


Quanto de tudo o que criticamos há em nós?
Se pudéssemos roubar da lucidez a maestria de perceber que aquilo que censuramos, corrigimos, desaprovamos, depreciamos é, muitas vezes, nossa imagem refletida em um espelho aterrorizante.
Sim, muitas vezes, nós fazemos o que censuramos, corrigimos, desaprovamos, depreciamos. Veladamente.
E isso nos torna algozes de nós mesmos.
Como seria mais fácil aprender, antes de maldizer.
Olhar o nosso próprio umbigo, antes de desaprovar a postura alheia.
Tentar se redimir antes de condenar.
E se fazer melhor antes de crucificar o pobre ser que está do outro lado servindo apenas de reflexo. 
Como um retrato em preto e branco que tanto teimamos em colorir pra simular nossa santa imagem.
É chegado o tempo de se encarar.
E que o reflexo do outro em nós seja mais que uma fotografia.
Seja reflexão. Retratação.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Um encontro não marcado


Quando ainda era adolescente me aconteceu um fato marcante. Tão marcante que até hoje quando lembro sinto o peito apertar e me emociono. 
Hoje foi assim. Lembrei-me do meu avô. Lembrei-me daquele dia.
Passeava eu com meu avô num fim de tarde. O sol, já querendo se pôr, ainda nos esquentava o corpo. 
E depois descobri que a alma também. 
Meu avô já tinha idade avançada e suas pernas começavam a lhe faltar. Precisava de alguém que o acompanhasse nas breves saídas à rua. Aquele passeio era uma oportunidade de vislumbrar o lado de fora de casa, arejar a "cuca", ver outras cores. A tarde estava linda naquela superquadra superarborizada de Brasília. Já tínhamos conversado e naquele momento apenas contemplávamos o caminho. Foi quando passou um outro senhor por nós. Um senhor como meu avô. Idoso, com dificuldade de andar, mas, infelizmente e provavelmente procurando naqueles raios de sol um calor que não experimentava em família. 
É, ele andava só. Com dificuldade até para falar. Mas falou. Fomos interpelados por ele e paramos. Ele literalmente bateu palmas para o que viu e disse que feliz e completo era meu avô porque tinha alguém que podia lhe dar o braço e o afeto naquele momento. Meu coração sangra só de lembrar. Seus olhinhos miúdos encheram d'água. Os meus também. Sim, ele estava solitário, magoado, triste mesmo. 
Fico pensando o quanto é difícil envelhecer. Ver nosso vigor físico ficando para trás, nossas capacidades se extinguindo, vendo um futuro sem futuro e queimando no peito tantas vontades ainda.
Depois do acontecido, olhei nos olhos do meu avô e lhe disse que feliz era eu por ser depositária da confiança dele em me dar os braços. 
Hoje estava andando num fim de tarde numa superquadra superaborizada de Brasília e me voltou à cabeça o acontecido. Revivi por momentos.
Meu avô e aquele senhor hoje estão muito melhores que nós, creio eu.
E a lição daquele pequeno fragmento da vida deles, num encontro não marcado num fim de tarde, eu levo pra toda a vida.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Ensaio



Há muitos anos tenho o hábito de colocar no papel meus pensamentos. Passados os anos, o papel perdeu seu sentido e tais pensamentos foram parar na telinha do computador. Mas tudo começa igual: uma folha branca, uma tela vazia. E aí começam a pipocar sentimentos e verdades que insistem em se eternizar. Ganham forma, ganham força. E muitas vezes ganham um sentido maior do que realmente tem. Mas é daí que provém a mágica dessa arte. Escrever é viver o sentido íntimo da palavra. É empalar no acúleo máximo dos meus sentidos. É delinear emoções. É colorir o cotidiano. É reinventar o óbvio. É maquiar o feio. É criar o improvável, copiar o provável. É também mostrar a realidade. Nua e tua. É reviver cada momento esquecido, ora vivido e daqui pra diante sacramentado. Na verdade, é um ensaio. Ensaio de devaneios, verdades, bobagens. Apenas ensaio... E ponto.

Recados da vida


Que a vida manda recados é certo. E o que acontece quando não entendemos sua língua? A gente reclama que alguns acontecimentos insistem em aparecer na nossa vida. Sempre a mesma dor. Pessoas que se parecem tanto e que nos atormentam. Dificuldade eterna em conseguir tal coisa. Vamos analisar. Quando temos vivências negativas e repetidas é porque algo está passando desapercebido por nós. Não estamos sendo bons alunos. Estamos deixando passar lições valiosas. Então vem a vida, generosa como é, e nos esfrega de novo na fuça aquela questão. Ei, presta atenção, diz a vida. Enquanto permanecer de olhos vendados, vou ter que te mostrar de novo, até você entender. Entendeu?

***

Quero muito entender. Subir um degrau.
A partir de hoje sou aprendiz atenta e concentrada.
Vamos lá vida, quero passar de ano.
Presente.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Limpando a poeira



Então vamos lá. Vamos soprar as cinzas, retirar as teias, limpar a poeira e me fazer de novo em palavras. 
Muitas vezes é necessário dar uma escapulida mental (até de nós mesmos), para de fora, poder enxergar o cenário com novas lentes. E nessa breve estiagem, que mais me pareceu uma imensidão, novos tons surgiram na minha caixa de lápis de cor. Pra onde me viro encontro aprendizado. Com alegrias, com dores, com sonhos, dissabores e com amores - de todos os tipos. Sábio é aquele que não procura um caminho de flores. Não, esse não existe. Talvez o melhor caminho seja aquele feito de inquietude, garra, conquistas e, sobretudo, fé. Fé em si mesmo e no outro. Fé na sua luta diária e que ninguém a critique, só você sabe o que passa. Fé nos sentimentos superiores, que nos impulsionam para um patamar fluídico de boas vibrações. O restante vem por atração. Essa tal lei da atração que nos coloca frente a frente com aquilo que nós construimos em nosso campo energético e sintonizamos. 
Então vamos lá. Vamos sintonizar amor, serenidade, profundidade.
Vamos sintonizar a poesia, onde quer que ela esteja. E olha que ela está bem aí na sua frente.
Vamos sintonizar nossa alma com a luz.
Pode entrar.
Essa colcha de retalhos também é sua.




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Estiagem poética




Olho lá fora e a grama está esturricada.
Olho cá dentro e minha retina não muda essa paisagem de sertão.
Olho lá fora e vejo excesso de folhas secas deitadas ao largo.
Olho cá dentro e meu escasso repouso não encontra chão.
Lá fora o vento uiva e convida a bailar as últimas flores dos ipês.
Cá dentro a canção não se faz com uma nota só.
Lá fora a luta insana do que não pode ser.
Cá dentro as cinzas ainda em brasa.
Lá, seca.
Cá, estiagem.

O UNIVERSO SUSSURRA

Tem silêncios que não são vazios, são profundos demais para caber em palavras. Olho essa imensidão e algo em mim se aquieta, como quem lembr...